11 de Abril 2018
Vasco da Gama, 1020
Horário: 18h às 24h
Entrada Franca
Classificação etária: livre

 

 

Os processos de autoconhecimento podem ser extremamente inquietantes e muitas vezes resultam em algo transformador, não só para a pessoa que o vive, mas para toda uma comunidade. Pode-se dizer que é exatamente isso o que nos mostra Dedé Ribeiro, conceituada produtora cultural, professora de Produção e Gestão, profissional que esteve nos bastidores do sucesso de muitas carreiras e que agora nos apresenta sua própria obra artística. A exposição ‘Diagnóstico por Colagem’ apresenta série inédita de desenho e colagens sobre papel que vem sendo produzidas neste último ano. A abertura será dia 11 de abril, às 19h no Vasco da Gama 1020. A curadoria é de Francisco Ribeiro.

Não é de hoje que Dedé é artista. Aliás, desde muitos anos vem fazendo desenhos de ‘máquinas que não servem pra nada’, segundo conceito dela própria, com requintes de tubulações, circuitos, equipamentos. As memórias e inspirações para esses primeiros desenhos vieram da infância, quando brincava em fábricas e laboratórios onde seus pais trabalhavam. O conhecimento das técnicas e possibilidades da colagem surgiu em sua vida bem depois, frequentando exposições e admirando trabalhos de artistas como Thais Rivoire e Lê Almeida, além de outras exposições da Galeria Recorte, em São Paulo. “Um processo intenso e intimista nos últimos anos culminou numa necessidade imperativa de voltar a desenhar e então vi a possibilidade recriar mundos e realidades que poderiam povoar minhas ‘fabricas’.  O processo tem sido de mudança contínua, e por vezes o desenho quase desaparece, mas a colagem ainda garante um fluxo, uma engrenagem, ou um circuito”, afirma a artista.

Nas primeiras obras, talvez por essa relação forte entre as sensações de infância e a necessidade de colocar coisas no papel, Dedé utilizava muito material de revistas antigas, dos anos 40 aos 60, principalmente, para compor os quadros. Uma estética que lhe é familiar, com destaque para os desenhos realistas das revistas Seleções dessa época.  “Virei uma caçadora de revistas em sebos, também buscando revistas de mecânica, eletrônica, dicionários ilustrados e livros didáticos antigos” afirma.

Já a série dos ‘diagnósticos’, que acabou dando o nome à mostra, rompe bastante com esse estilo, introduzindo imagens mais recentes, revistas de outros países. E a história por trás dela também foi inspirada na vida real: em maio de 2017, depois de desmaios em voos e algumas complicações de saúde, Dedé fez uma bateria de exames clínicos. Foi quando pensou em usar os exames como suporte para as colagens e as possibilidades de expansão da mente como conteúdo para as futuras obras. “Minhas obras às vezes me lembram das peças de teatro que escrevo.  Colo no papel personagens que estão vendo algo, sentindo algo, passando por uma experiência reflexiva”, afirma Dedé. E para provocar reflexões também no público, nomeou cada obra com uma pergunta. “Não interfiro na forma que um diretor dá para um texto teatral meu e adoro me surpreender com sua leitura. O mesmo acontece com o trabalho de arte: quero que o observador crie sua história.  A pergunta (nome da obra) pode dar pistas do que aquilo representa pra mim, mas quero na verdade saber o que representa para quem vê.  Não quero apenas deixar o observador livre e sim saber que conexões ele faz”, complementa.

Em muitos momentos de sua carreira profissional, Dedé Ribeiro deparou-se, lidou e se ‘contaminou’ com as artes visuais. Dirigiu importantes centros culturais de Porto Alegre, como a Usina do Gasômetro e o Santander Cultural e criou com sua empresa, a LIGA Produção Cultural, políticas culturais para instituições como Unisinos, Centro Histórico-Cultural da Santa Casa e Instituto Ling.  Esteve ligada às artes visuais por toda a vida, por ser filha de artista amador e mãe do curador e galerista Lucas Ribeiro. A direção de centros culturais especializados, o mestrado na área e os estudos dos últimos três anos em neurociência mudaram radicalmente sua vida, fazendo com que se afastasse da produção cultural para encontrar uma expressão, pela primeira vez, sem palavras: a arte com desenho e colagens.

A curadoria é de Francisco Ribeiro, que tem mais de dez anos de experiência no mercado de produção cultural. Francisco integra desde 2011 a equipe de programação artística do Theatro São Pedro (RS), além de colaborar com os projetos especiais da Galeria Fita (SP) desde 2009. Desde 2015 atua como curador independente e entre as principais exposições que assina a curadoria estão “Entre o Êxtase e a Demência”, individual de André Bergamin na Galeria Recorte, em São Paulo (2016) e “Pele Agridoce”, individual de Patrick Rigon na Galeria Península, em Porto Alegre (2015).

 

 

Diagnóstico por Colagem – individual de Dedé Ribeiro

Abertura dia 11 de abril, às 19h

Visitação de 12 de abril a 12 de maio

De terças a sábados, das 18h às 24h

Vasco da Gama, 1020 – Rio Branco

 

Realização: Vasco da Gama 1020

Apoio: Bebê Baumgarten Comunicação

 

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